Município de Niterói pode ganhar novo e importante espaço cultural

Criação do Museu Histórico da Vila Real da Praia Grande já está na Alerj. Largo de São Domingos deve abrigar a futura instituição que vai preservar história e cultura niteroiense

Dentro de pouco tempo a cidade deve ganhar um novo espaço cultural, o Museu Histórico da Vila Real da Praia Grande. O projeto de lei, elaborado pelo Profº Francisco Albuquerque, Vice-Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói,  que cria a instituição está tramitando na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas profissionais da cultura e pesquisadores já comemoram. A instalação de um museu histórico na cidade, marcada por instituições voltadas para a cultura, deve preencher uma lacuna que prejudica o conhecimento e difusão da história local.

O Largo de São Domingos, tradicional bairro da cidade, deve abrigar a nova instituição, de acordo com recomendação do projeto do deputado estadual Comte Bittencourt (PPS).

“É o bairro onde Dom João VI ficava quando vinha à então vila de Niterói e seria importante que o espaço fosse lá, por isso recomendei. Mas temos outros espaços que podem receber o museu, como o Palácio do Ingá. É um projeto para preservar a história da cidade, de uma fase muito importante”, declarou o deputado, que afirmou que abaixo-assinado feito por acadêmicos pesou para a proposição do projeto.

No museu serão preservados e disponibilizados objetos, fotografias, filmes, documentações e outros elementos que constituem a memória da história da Vila Real da Praia Grande e da Imperial Cidade de Niterói. Os períodos colonial e imperial devem ser o foco do espaço, mas também pode haver espaço para história recente.

“Este espaço é importante pelo papel da cidade de Niterói, que tem peso inclusive político. É uma cidade que foi durante muitos anos a capital do estado, que tem uma história que em parte está dispersa em coleções particulares e que poderá ser reunida neste espaço. Uma instituição viva, que ultrapassa o papel de depósito”, disse Ana Maria Mauad, professora do curso de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).

De acordo com o projeto, cabe ao Executivo estadual, caso sancione a lei, determinar onde o museu será instalado provisoriamente até que a sede, no Largo de São Domingos, seja aprontada. O Instituto Histórico e Geográfico de Niterói também pode passar a funcionar no novo endereço.

Formação – A abertura de um novo museu pode colaborar ainda com uma melhor formação histórica dos alunos da cidade, sejam da Educação Básica ou do Ensino Superior. De acordo com o coordenador do curso de História da UFF, Manuel Rolth, é esperado um ganho qualitativo com a presença do museu. Segundo ele, a identidade niteroiense também será beneficiada.

“O museu representa o fim de uma lacuna enorme e o fortalecimento da história local. Fora os museus dedicados à arte, temos apenas um espaço, que é o Museu de Itaipu, com foco arqueológico. Para o curso, esperamos benefícios em duas vertentes, tanto para os formandos professores quanto para os pesquisadores. Para ambos, será uma ferramenta de trabalho importante, reunindo materiais que estão dispersos”, comemorou Rolth.

A justificativa do projeto também objetiva o setor econômico. Para Comte Bittencourt, a construção do museu deve aproveitar a grande demanda que o mundial de futebol e a Olimpíada produzirá no setor de turismo. O mercado para turismólogos, guias poliglotas, museólogos e o comércio de “souvenirs”.  

“(o museu acarretará) o incremento do movimento de turistas brasileiros e do exterior que visitam a cidade, fazendo com que dilatem o tempo de permanência na cidade, propiciando a criação de empregos”, escreveu Comte Bittencourt aos demais colegas deputados estaduais. 

Wilson Mendes
O Fluminense

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