Jornal O Dia- Pedagogia na pandemia

Cerca de 42% dos professores participantes da pesquisa relataram que o ensino remoto conseguiu alcançar, efetivamente, somente metade de seus alunos, por mais que a escola tenha implementado estratégias diversas

Dados mapeados pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ) junto a diretores e professores da rede estadual de ensino fluminense, em dezembro de 2020, trouxeram apontamentos relevantes, não só para entendermos os impactos da pandemia sobre o aprendizado dos estudantes, mas, também, para subsidiar o planejamento da Educação pública para 2021. Cerca de 42% dos professores participantes da pesquisa relataram que o ensino remoto conseguiu alcançar, efetivamente, somente metade de seus alunos, por mais que a escola tenha implementado estratégias diversas.Diretores e docentes, também, foram quase unânimes em afirmar que as dificuldades quanto à disponibilidade de tecnologia adequada comprometeram o engajamento durante o ensino remoto.

Tal levantamento comprova que o avanço desigual do uso das tecnologias de informação e comunicação e, principalmente, do acesso à internet, ampliaram sobremaneira o distanciamento entre o nível de aprendizagem de jovens de contextos socioeconômicos distintos. Enquanto o grupo mais favorecido tem acesso a conteúdos produzidos no mundo inteiro, o outro se mantém limitado ao que é apresentado pelos educadores. Mesmo diante desse cenário desafiador, os professores se superaram desenvolvendo atividades instigantes com os alunos e os diretores trouxeram contribuições importantes, destacando a preocupação com o abandono escolar.

Nos últimos três meses do ano passado, quando a atual gestão assumiu, trabalhamos duro junto às escolas para que fosse recuperado o vínculo perdido com cerca de 70% de nossos alunos. Na sequência, para mitigar os danos decorrentes da pandemia, construímos uma matriz curricular priorizando conteúdos essenciais de 2020 e produzimos recursos didáticos em texto, áudio e vídeo para apoiar o processo de ensino-aprendizagem. Desenvolvemos, ainda, instrumentos de avaliação diagnóstica dos estudantes, subsidiando o planejamento das atividades na rede a partir do segundo bimestre do novo ano letivo.

Aprendemos lições fundamentais para lidar com este contexto desafiador e, a partir deste ano, dotaremos as escolas com acesso à internet de boa qualidade, implantaremos espaços multimídia com computadores e softwares e, ainda, ferramentas de audiovisual e tecnologias que permitam aos estudantes produzirem seus próprios conteúdos. Desenvolveremos e implantaremos a formação continuada dos professores para uso desses recursos em todo seu potencial. Daqui para frente, o ensino híbrido (remoto e presencial) e suas melhores práticas estarão no centro do debate dos educadores.

Os grandes processos de ruptura e inovação surgiram, na história da humanidade, a partir de graves crises. Que esta seja uma alavanca para as transformações urgentes e necessárias na educação, favorecendo o surgimento de uma pedagogia que tenha como objetivo – e cumpra – o desenvolvimento integral do aluno, contemplando todas as suas potencialidades.

https://odia.ig.com.br/opiniao/2021/02/6079538-andrea-marinho-de-souza-franco-pedagogia-da-pandemia.html

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