JB online: Rio lidera estudos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

Crise econômica, porém, coloca pesquisas em risco

O Rio de Janeiro realiza 36% de todas as pesquisas realizadas no Brasil sobre o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya, liderando os estudos na área. A informação foi divulgada pelo diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Jerson Lima Silva, em audiência pública da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (23).

O diretor da Faperj se mostrou preocupado com a possibilidade de retrocesso nas pesquisas, caso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 19), enviada à Alerj pelo Executivo – que reduz em 50% os recursos destinados à Fundação – seja aprovada. A Faperj passaria a receber apenas 1% da receita líquida do Estado. “Se os recursos caírem, vamos perder todo o trabalho que fizemos até o momento. Seria como retroceder uma década em termos de conhecimento”, afirmou Lima.

Jerson também lembrou que alguns pesquisadores estão indo para outros estados em busca de remunerações melhores e regulares. “Por conta do atraso no pagamento das bolsas, que ocorre há três meses, já tivemos alunos que foram pra São Paulo. A nossa preocupação é que o Rio tenha uma fuga de mentes inteligentes para outros estados e até para fora do país”, ponderou.

Atualmente, a Faperj conta com 5 mil e 300 cientistas e 400 grupos de pesquisa. Segundo Lima, a maior parte desses pesquisadores só tem essa fonte de renda. “Até o ano passado a Faperj sempre honrou com os seus pagamentos, mas agora estamos vivendo um momento vergonhoso. Os bolsistas estão trabalhando nos finais de semana, e ainda assim não estão recebendo”, relatou Ana Luiza Chaves Valadão, bolsista da Faperj.

Há nove anos a Faperj pesquisa sobre o Aedes Aegypti. De 2007 a 2015 já foram destinados R$ 36,1 milhões para os estudos do vetor. Segundo Lima, apenas para manter o custeio das pesquisas sobre Zika, Dengue e Chikungunya, a Faperj precisa de R$ 12 milhões para 2016. “No ano passado recebemos apenas R$ 676 mil para pagar os bolsistas e dar continuidade às pesquisas”, informou o diretor da Fundação.

“O governo demonstra as suas contradições quando tira dinheiro do único caminho que se pode pensar como alternativa à dependência da cadeia de óleo e gás. Não há outro caminho para pensar o desenvolvimento do nosso estado que não seja através da ciência, tecnologia e inovação”, afirmou o presidente da Comissão de Educação, deputado Comte Bittencourt (PPS).

A deputada Ana Paula Rechuan (PMDB), integrante da comissão de Saúde da Alerj, também reforçou a importância de manter os investimentos à Faperj. “A longo prazo, o custo do estado será menor se houver investimento em pesquisa. Temos que lutar pela preservação desses recursos”, afirmou.

Também estiveram presentes na reunião os deputados Paulo Ramos (PSol) e Tio Carlos (SDD).

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