Intolerância na política

O SR. COMTE BITTENCOURT – Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (PAULO MELO) – Tem a palavra pela ordem, o Deputado Comte Bittencourt.

O SR. COMTE BITTENCOURT (Pela ordem) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, fiz ontem a audiência pública da Comissão de Educação pela manhã, mas não pude estar presente à Sessão Ordinária devido a compromissos partidários na minha Cidade de Niterói e também no interior, mesmo motivo que me impediu de estar presente às Sessões de hoje, anteriores a esta.

Quero fazer uma breve reflexão a respeito da preocupação quanto à intolerância na política, o rancor na vida das pessoas.

Neste planeta vivem sete bilhões de pessoas, e é natural que, entre elas, existam fenômenos inexplicáveis cuja cura a ciência ainda não conseguiu identificar.

Uma jovem ser enganada sobre uma gravidez, enganar também a Medicina, não intencionalmente, achando que um tumor fosse uma gravidez. Fenômenos que podem acontecer num mundo de sete bilhões de seres vivos.

O que é lamentável, Sr. Presidente, é um homem público que usa da Palavra de Deus, achando que a sua verdade é única, fazer analogia de um caso dramático como esse, da vida de pessoas, com a política, referindo-se ainda ao saudoso ex-Presidente Getúlio Vargas.

Eu quero dizer a V.Exa. que a minha educação sempre foi pautada, primeiro, pela elegância no trato, até com os diferentes. Não significa perder a firmeza por causa da elegância, mas ter a elegância da urbanidade no convívio.

Nós do PPS queremos que a política seja um lugar de se combater o rancor, para, levando em consideração os diferentes, se poder construir uma sociedade mais democrática e mais igual. A política, na sua maturidade democrática, exige alianças, exige conversas, exige busca de soluções conjuntas entre os diferentes. Eu sou de um partido rigorosamente parlamentarista, que entende que as coligações, as coalizões são fundamentais para o Estado avançar nas suas políticas.

Estou pedindo esse tempo a V. Exa. por achar que eu mereço, já que é a última Sessão do período legislativo. Eu não estava aqui ontem e não tive oportunidade de fazer essas considerações.

Quero dizer a V.Exa. que o mioma que representava o tumor dessa moça, algo sério na vida das pessoas, não pode ser tratado dessa forma por determinados idiotas da vida religiosa – e aí não cabe generalização, com respeito aos homens que têm a sua crença mas não consideram as suas palavras como únicas verdades.

Eu tenho uma aliança de muitos anos, na minha cidade, com o Prefeito Jorge Roberto Silveira, que eu admiro e respeito. Avançar e recuar em alianças políticas são atos normais na vida pública. Nunca tive nenhuma conversa formal com membros do Partido da República na minha cidade, a não ser com a Deputada Clarissa Garotinho, que reputo um dos mais jovens talentos que apareceram na política do Estado do Rio de Janeiro, independentemente de erros e acertos que uma família política possa ter tido ao longo da sua história. Os erros e os acertos da família da Deputada Clarissa Garotinho – e na política todos têm erros e acertos – não podem inibir nem desqualificar a Deputada, que é um dos novos talentos da política do Rio de Janeiro.

Então, quero, Sr. Presidente, lamentar a palavra de rancor daqueles que se intitulam donos da verdade em nome de um Deus, daqueles que aqui nesse plenário, em outra época, já mostraram o seu rancor com as minorias no estado democrático, tentando até desqualificá-las e lhes negar direitos.

Sr. Presidente, quero trazer essa minha reflexão, lamentando que, em pleno século XXI, na era do conhecimento, com as novas tecnologias, com o mundo moderno, ainda tenha espaço para políticos com tamanha desqualificação. Eu lamento, e quero aqui deixar clara a minha admiração, o meu carinho, o meu respeito pela minha colega Deputada Clarissa Garotinho.

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