Governo do Rio não se interessa por suas Universidades

O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Presidente do Expediente Inicial, Dr. José Luiz Nanci, Srs. Deputados Paulo Ramos, Marcelo Freixo, Senhoras e Senhores, subo à tribuna para continuar fazendo um apelo ao Governo do Estado com relação ao pleito dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF, que entraram em greve depois de alguns meses em estado de greve.

Quero lembrar aos Srs. Deputados que, ao final do ano legislativo passado, final de 2013, o Poder Executivo assumiu um compromisso com esta Casa e com os professores da UENF de encaminhar, no início deste ano legislativo, a mensagem que tratava do aumento dos docentes daquela Universidade. Os professores esperam desde janeiro por esta mensagem; já estamos em meados de março e na há nenhuma sinalização da mensagem do Governo para o Poder Legislativo. Os professores entraram em greve, depois de um mês e meio em estado de greve, e hoje está sendo convocada uma assembleia com o pessoal técnico-administrativo da UENF, e também para tirar uma votação sobre paralisação – mais uma, Sr. Presidente, de várias outras que já aconteceram naquela Universidade.

Temos tratado do tema aqui de forma constante. É a visão do Governo, do Poder Executivo, de tratar o salário de suas universidades da mesma forma. Não é possível o professor de DE da UERJ ter um salário, e o mesmo professor de DE em outra universidade ter um salário menor, como é o caso da UENF e o caso da UEZO. O Estado do Rio de Janeiro tem que seguir a visão do Estado paulista, que já uniformizou os salários das suas universidades há algum tempo. Não é possível nós tratarmos, aqui na Assembleia, em momentos diferentes, de salários de universidades como se fossem mantidas por estados diferentes. A Universidade do Estado do Norte Fluminense, idealizada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, é um exemplo exitoso de que pela academia é possível levar o desenvolvimento. Pela inovação, pela inteligência, pelo conhecimento é possível gerar progresso.

Esse é o grande debate do mundo hoje na era do conhecimento, da inovação e das novas tecnologias. O Estado do Rio não pode continuar a tratar Uenf como vem tratando. Não é possível mais uma greve por causa de quatro ou cinco milhões de reais a mais naquele Orçamento.

O que os professores da Uenf estão reivindicando há algum tempo é o piso do salário de DE, já que todos lá são contratados pelo regime de DE, igual ao que os professores da Uerj alcançaram ano passado, depois de muito debate aqui nesta Casa.

Sr. Presidente, é lamentável termos de voltar a esta tribuna para continuar apontando uma falta completa de interesse deste Governo para com as suas universidades. Não é possível o Governo Cabral encerrar o seu ciclo de governança no último ano com sucessivas greves nas nossas universidades.

É fundamental que o Governo entenda o papel daquele equipamento. É fundamental que o Governo entenda o papel da Uenf como geradora de desenvolvimento do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. É fundamental que o Governo se convença definitivamente de que uma das grandes aptidões deste Estado é conhecimento, é inovação e é tecnologia.

Este Estado, que tem nessa marca uma marca muito forte, precisa reconhecer o papel das suas universidades; reconhecer o papel estratégico da nossa Uenf.

Srs. Deputados, eu faço aqui um apelo a todos, especialmente às lideranças do Governo, que sensibilizem o Poder Executivo para que a greve iniciada semana passada não se prolongue muito; para que ela não traga mais transtornos à vida acadêmica daquela instituição.

Vamos continuar Sr. Presidente, cobrando; vamos continuar insistindo e vamos continuar esperando que o Governo Cabral cumpra os compromissos assumidos nas duas campanhas com as nossas universidades. Muito obrigado.

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