Deputado denuncia fechamento de laboratórios digitais na rede estadual

O Globo Niterói
Ludmilla de Lima

Projeto de inclusão foi suspenso ou funciona parcialmente em escolas de Niterói

Com a falta de professores nas escolas estaduais, os chamados orientadores tecnológicos (OTs) estão sendo remanejados pela Secretaria Estadual de Educação dos laboratórios digitais para as salas de aula. Autor de denúncia, o presidente da Comissão de Educação da Alerj, deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), afirma que pelo menos dez escolas estaduais de Niterói encerraram o projeto de inclusão digital ou mantêm os laboratórios funcionando parcialmente por falta de OTs, que foram capacitados para a função pelo próprio estado.

Na última quarta-feira, o deputado esteve no Colégio Estadual Hilário Ribeiro, no Fonseca, onde a sala de computadores fica permanentemente vazia porque não há quem monitore os alunos. Os estudantes costumavam utilizar os equipamentos – oito no total, mas apenas cinco funcionam – para pesquisas e exercícios. A escola tem 1.300 alunos.

– O professor trazia a turma, e os alunos faziam atividades pedagÓgiCas relativas à matéria nos computadores-explica o diretor da unidade, André Rodrigues Barbosa. Segundo ele, os equipamentos – que têm internet banda larga e funcionam com rede sem fio – foram adquiridos no ano passado com verba da própria escola, que chegou a contar com três OTs.

– Tínhamos o planejamento de comprar mais computadores, mas sem os OTs fica difícíl -lamenta Barbosa.

Falta de professores já compromete ano letivo

Para Comte Bittencourt, os laboratórios são uma importante ferramenta de inclusão digital e de incentivo à educação:

– A situação é grave porque estamos num pais com 79% da população de excluídos digitais. Somente cerca de 25% da rede do estado têm laboratórios, e muitas escolas funcionam sem bibliotecas para pesquisa. Nos colégios com laboratórios, os computadores são o principal atrativo.

Comte também denuncia que há escolas na cidade onde a falta de professor€s já comprometeu três meses do ano letivo, o que torna inviável a reposição.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação informa que, embora tenha capacitado os orientadores, não houve uma portaria que designasse a função. Diz que muitos se encontram alocados em escolas que não têm salas de informática e que, por isso, o órgão vem analisando a situação de cada um dos OTs.

Para o secretário Nelson Maculan, “não tem sentido deixar alunos sem professores em sala de aula, se há docentes fora de atividade”.

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