Comte parabeniza a nova administração de Natividade e discursa sobre os problemas enfrentados no Comperj

O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Presidente, companheiro de Comissão de Educação, Deputado Tio Carlos, Sras. e Srs. Deputados, inicialmente venho registrar que, amanhã, na Cidade de Natividade, extremo Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, serão empossados os novos Prefeito e Vice-Prefeito de uma eleição especial realizada no mês de maio, que se deu após uma gestão desastrosa e completamente inidônea. O Município apresenta um dos piores IDHs do Estado, onde a necessidade por oportunidades em todas as áreas que dão alguma perspectiva de dignidade à vida das pessoas é imensa. Todos nós, Deputados desta Casa, sabemos que o extremo Noroeste do Rio de Janeiro é a região de maior desafio para o Estado, pois seus indicadores sociais se aproximam dos indicadores mais perversos das regiões pobres do País. Assim, temos muita esperança no Chico da Saúde, Prefeito eleito pelo PT, um jovem que milita há muitos anos na área da Saúde, e que, depois de muitas lutas e disputas eleitorais, teve seu trabalho reconhecido pela sociedade local; e muita satisfação de ter como Vice-Prefeito o nosso companheiro do PPS, o jovem Alan Batata. Que esses dois companheiros possam dar àquela cidade uma boa perspectiva, apesar de um mandato tampão de um ano e seis meses, para começar a construir o futuro em um caminho melhor. Não poderei estar presente, mas deixo minha saudação aos companheiros que serão empossados amanhã, Chico da Saúde e Alan Batata.

Sr. Presidente, quero também neste Expediente Final me somar à manifestação do Deputado Luiz Paulo, que teve aqui um aparte da Deputada Lucinha, e aproveitando em plenário o Deputado da Cidade de Itaboraí, Dr. Sadinoel.

O plano de negócios anunciado ontem pela Petrobras que nós compreendemos a necessidade de se buscar a recuperação daquela grande empresa brasileira, que é um patrimônio da população brasileira, resultado e fruto de muita luta e suor do povo brasileiro.

Rever um plano de negócios em função do caos que se instalou na governança daquela companhia pública era esperado. Agora, o que nos causa Deputada Lucinha uma profunda frustração é quando olhamos o plano de negócios e focamos lá a expectativa no tão anunciado Comperj.

E estou aqui Deputado Dr. Sadinoel, subtraindo das minhas reflexões o desvio dos recursos já colocados naquela planta desejada, que eles chamam de trem, é um termo novo da governança industrial, o trem. Vão instalar o primeiro trem. Antigamente era planta industrial, agora é um trem industrial.

Mas causa uma profunda frustração, porque tanto o ex-Presidente Lula quanto a Presidente Dilma anunciaram aos quatro cantos o que seria o Comperj que representava o maior investimento público já feito na história do País. O projeto inicial para a terceira geração apresentava o maior investimento público se eu não me engano, nos últimos 50 anos do País.

E evidentemente essa manifestação, esse pronunciamento, essa convicção vendida pelo Governo Federal naquela planta industrial, ela gerou uma expectativa em toda a sociedade.

Quero aqui tratar, Deputado Dr. Sadinoel, é do roubo de sonhos. E não estamos também tratando da roubalheira da Petrobras, essa já está colocada na grande imprensa e discutida em todos os lares deste País. Nós estamos falando do sonho roubado com microempresários, com pequenos trabalhadores que reuniram algumas economias, investiram em pequenos negócios naquela região, uma pequena pousada, um pequeno restaurante a quilo, uma pequena mercearia, drogaria, alguns milhares de fluminenses, ou seja, de brasileiros embarcaram nesse sonho. Reuniram suas pequenas economias e colocaram nessa expectativa de melhorar a vida de um sonho vendido pelo Governo Federal.

E agora estamos vendo na Cidade de Itaboraí, quem lá a visita, é uma cidade-fantasma. Os investimentos especulativos, os grandes, mas eu estou focando os pequenos investimentos. Investimentos imobiliários. Quantos e quantos brasileiros tiraram recursos do Fundo de Garantia, das suas poupanças, compraram lá uma pequena unidade habitacional na expectativa de um aluguel e ser o aluguel um reforço na fonte de renda para a sua aposentadoria, essa aposentadoria miserável que o brasileiro recebe quando chega à chamada melhor idade, idade mais feliz.

Então, o que impressiona é o Governo Federal agora, através da Petrobras e evidentemente esse plano de negócios Deputada Lucinha, antes de ser anunciado pela Petrobras, ele seguramente foi discutido com o Governo. O Governo é o grande acionista da Petrobras, o Governo detém o maior número de assentos no Conselho de Administração da Petrobras. Vale, nessa decisão, é a palavra do Governo. Evidentemente, os investimentos desastrosos foram todos feitos por decisão do Governo, e não da governança da Petrobras, mas sim do Governo Federal.

Agora estaremos reduzidos a uma unidade, que eles chamam de utilidade, que vai gerar energia e água, para poder fazer lá a produção de gás, no seu processamento. Só. E para por aí. Nem a primeira planta, da primeira refinaria, temos hoje compromisso do Governo Federal e da Petrobras. Vão tentar ainda uma parceria com o setor privado. Ainda vão tentar uma parceria para viabilizar a primeira planta, Deputado Tio Carlos. A primeira planta de um conjunto industrial, que foi noticiado como o maior investimento feito nos últimos 50 anos no Brasil.

O Governo Federal continua roubando sonhos, continua roubando a expectativa da vida das pessoas. São milhares e milhares de trabalhadores, que fizeram pequenos investimentos, que estão hoje sem rumo; estão hoje sem saber o que irá acontecer no dia de amanhã.

É fundamental isso que a Deputada Lucinha está encaminhando. Não é só a representação de Itaboraí, mas o Parlamento do Estado, tão logo rompamos aí o segundo semestre legislativo, precisa se manifestar, no coletivo dos seus Deputados, de forma veemente, a respeito desse plano de negócios, anunciado ontem, pela Petrobras. Não é possível ficarmos calados.

Entendemos, como eu disse – já estou terminando, Sr. Presidente – a necessidade de toda uma reengenharia financeira na governança da Petrobras, mas isso não pode custar o sonho de milhares e milhares de trabalhadores que lá fizeram os seus pequenos investimentos.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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