Comte lamenta a ausência das Universidades Estaduais em ranking internacional

O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Presidente, Deputado José Luís Nanci, Deputados Flávio Bolsonaro, Paulo Ramos, Luiz Paulo e Iranildo Campos, senhoras e senhores, ontem, a Consultoria britânica Times Higher Education publicizou o ranking das cem melhores universidades do mundo em desenvolvimento.

Todo ano a Times publica o ranking das principais universidades e gera um extrato desse ranking das universidades do chamado BRICS, do qual fazem parte o Brasil, a Rússia, a Índia, a China, a África do Sul e mais 17 economias emergentes – de países em desenvolvimento -, e lista, como todo ano faz, as cem mais importantes universidades nessa pesquisa científica.

Mais um ano lamentamos a ausência das nossas universidades estaduais, já que sempre as paulistas estão presentes. Quatro universidades brasileiras estão elencadas nesse ranking das cem mais importantes: a USP – Universidade de São Paulo -, a Unicamp, a Unesp – a Estadual Paulista – e a nossa UFRJ. A USP ganhou uma posição, do ranking de 2013-2014 para o de 2015, e passou a ser a décima mais importante universidade, desse conjunto de países emergentes. A Unicamp perdeu três posições; a UFRJ perdeu uma e a Estadual Paulista desceu dez posições.

De qualquer maneira, fica o primeiro registro referente ao quadro que se repete a cada ranking divulgado por essa importante consultoria britânica: a ausência das nossas universidades estaduais, a Uerj e a Uenf. Continuamos perdendo espaço para as universidades estaduais paulistas.

O estudo aponta uma surpresa: a Turquia tem, entre as cem mais importantes universidades, oito elencadas. A China é a primeira, com 27 universidades; Taiwan é o segundo, com 19; a Índia é a terceira, com 11; a Turquia é a quarta, com oito; a Russia é a quinta, com sete universidades, seguida da África do Sul, com cinco. Vejam que, dos BRICS, o Brasil é o lanterninha, é o País que menos apresenta universidades nesse ranking das melhores. E o Dr. Phil Baty, que é o editor responsável por essa publicação, afirma o seguinte: há uma crise no ensino superior brasileiro. Há uma crise no ensino superior brasileiro. Ele aponta duas questões que reputa centrais: a baixa ou baixíssima internacionalização das nossas universidades – as nossas universidades são muito pouco internacionalizadas, o mundo da inovação exige troca, pesquisa é troca, entre todos os povos do planeta, e as nossas universidades são indicadas como universidades de baixíssima internacionalização. Aponta também o excesso de burocracia na contratação de professores, na contratação de docentes.

O fato é, Sr. Presidente, que em mais um ano percebemos as nossas universidades Estaduais fora desse ranking. Mais um ano e o Estado do Rio de Janeiro demonstra que está cuidando de forma não prioritária da questão da inovação, da inteligência e da presença fundamental e estratégica das universidades nesse contexto.

O Estado do Rio de Janeiro sempre foi, entre os estados da Federação, um Estado com tradição em pesquisa, ciência e inovação. Sempre fomos! Desde a antiga Capital da República. A quantidade de instituições de pesquisa sediadas na Cidade do Rio de Janeiro, se comparada com as demais cidades brasileiras, é uma enormidade. O Estado do Rio de Janeiro, que sempre teve essa vocação, precisa ter um olhar especial para as suas universidades.

Não é possível continuarmos convivendo com uma Uezo sem sede, com uma Uenf em que não está resolvido ainda o problema da DE dos seus professores, com a Uerj sempre com problema no seu orçamento, na execução do seu orçamento, já que não consegue chegar ao final do seu exercício sem comprometer diversos programas de pesquisa e extensão.

Agora, semana que vem, quando votaremos aqui em Plenário o Orçamento do Estado para 2015, é fundamental que o Parlamento aponte a importância do investimento no ensino superior Estadual. Fortalecer as nossas instituições de ensino superior através de orçamentos que comportem esse desafio no mundo da inovação é fundamental para que o Estado do Rio de Janeiro possa, com o tempo, fazer parte de listas como essa; para que o Estado do Rio de Janeiro um dia possa ter as suas Estaduais elencadas entre as mais importantes universidades dos países emergentes do planeta.

É o apelo que deixo aqui aos nossos colegas: um olhar especial às Emendas que estão sendo apresentadas para reforçar o orçamento da UENF, da UEZO, da UERJ, da FAETEC, nos seus institutos superiores, e do CEDERJ-CECIERJ, e a compreensão importante do papel da Academia no contexto do desenvolvimento tecnológico no mundo da inovação. Mas lamentavelmente estamos aqui registrando mais um ranking onde as nossas Estaduais não se fazem presentes. Quem sabe, com o novo Governo, com a sensibilidade do Governador Pezão e melhores investimentos na ciência e tecnologia, poderemos ter em breve uma presença estratégica das nossas Estaduais nesse ranking internacional. Muito obrigado, Sr. Presidente.

Posts recentes