Comte fala do assassinato de Alex Mariano e a segurança em Niterói

O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Presidente, Srs. Deputados, eu estava há pouco comentando com o Deputado Dionísio Lins sobre minha impressão, não sei se estou enganado, a respeito da mudança de comportamento do Governador Sérgio Cabral. Antes das manifestações de junho, quando a sociedade deu um basta à política e à forma soberba de boa parte dos governantes deste País, S.Exa. tinha um comportamento que, parece, mudou completamente de uns dias para cá – ele até assumiu um lado mais humilde, coisa que não se via há muito tempo.
Um fato novo na imprensa, hoje, é o recuo do Governador com relação ao fechamento da Escola Friedenreich, no Maracanã. Até pouco tempo o Governador e o Secretário da Casa Civil eram intransigentes quanto essa questão, mas ontem, nas redes sociais, e hoje, na grande mídia, comunicam à sociedade que a escola não será mais fechada. Mas pergunto a V.Exas.: e as 98 escolas que o Governo estadual fechou ou transferiu para o município nos dois últimos anos? Onde estava a humildade do Governador no caso de cada uma dessas 98 escolas? Se elas fossem no Maracanã, onde fica a Escola Friedenreich, com todo o simbolismo que o estádio carrega, elas hoje estariam abertas.
Falei sobre tal prática em 2008, quando o Governador Sérgio Cabral fechou a Escola Estadual Brandão Monteiro para instalar no local a garagem de uma empresa de ônibus que havia sido retirada da Rocinha. Eu disse, na ocasião, que aquela escola tinha um simbolismo muito grande, e não pelo nome do ex-Deputado homenageado, mas pelo fato de ter sido fundada pelo Governador Leonel Brizola em uma antiga garagem de ônibus. Ou seja, o Sr. Leonel Brizola retirou uma garagem de ônibus para colocar uma escola, enquanto o Governador Sérgio Cabral retira a escola para colocar o ônibus.
Eu falava da diferença clara entre o que é ser um estadista e o que é ser simplesmente um governante. Para o Governador Cabral um ônibus é mais importante do que a escola. Para o Governador Leonel Brizola a escola era – muito – mais importante do que uma garagem de ônibus. O Maracanã, que o Governador agora está recuando na questão do parque aquático, na questão do Célio de Barros e, agora, na escola municipal, custou para os cofres do Estado R$ 1.2 bilhão.
A Odebrecht, os jornais dizem hoje, foi responsável por quase um bilhão desse valor que Estado aplicou no Maracanã. Nos sete anos do Governo Sérgio Cabral toda a rede Estadual de educação, 1.400 escolas aproximadamente, só recebeu 700 milhões em investimentos de obras, construções e manutenções.
Fica claro que, rigorosamente, o Governador Sérgio Cabral não tem na Educação uma das suas prioridades; fica claro que o Governador Sérgio Cabral precisa ter ainda um pouco mais de humildade. O Colégio Pedro Varela, na Tijuca, fechado ano passado, e o Colégio Augusto Meschick, em Petrópolis, estão para ser fechados. O Secretário de Estado de Educação insiste ainda em continuar fechando escolas. Investe-se pouco se comparado ao que se investiu no Maracanã e, infelizmente, a Educação continua não sendo a prioridade deste Governo.
Queremos saudar, Deputado Dionísio Lins, o recuo do Governador com relação ao complexo do Maracanã. Esperamos agora que ele reveja o contrato da concessão, da privatização. O Maracanã, com aquele investimento feito com recursos do Tesouro, precisa voltar a ser o palco dos grandes espetáculos do futebol; precisar ser um local onde o cidadão mais simples tenha acesso ao valor do ingresso; o Maracanã tem que ser um estádio voltado para a grande arte que é o futebol na cultura do brasileiro, e não ser entregue a uma concessionária que só pensa em lucros. Seguramente, eles só pensa em lucros, a Odebrecht e o Sr. Eike Batista.
Esperamos que o recuo feito pelo Governador Sérgio Cabral, após esses grandes movimentos de rua, que nós esperamos que continue, pois a agenda do Governo ainda não vai ao encontro da agenda das ruas. A agenda de prioridade deste Governo ainda não é a Educação; ainda não é a saúde; ainda não é a mobilidade. A agenda deste Governo continua não sendo a que as ruas estão clamando.
Nós esperamos que as iniciativas do Governador Sérgio Cabral, de humildade, de assumir que vai mudar o seu comportamento, de voltar a atender os Deputados da sua base com a presteza como talvez fizesse antes de ser Presidente desta Casa, ou seja, o Governador Sérgio Cabral está tomando um banho de humildade. Esperamos que a sua soberba, de fato, agora seja colocada no armário e passe a entender o que as ruas estão clamando.
Para terminar Sr. Presidente, quero lamentar que ontem, Deputado Nilton Salomão, houve mais uma vítima da violência na cidade de Niterói. O pequeno empresário Alex Mariano, 50 anos, sucessor de uma família de uma pequena loja no centro de Niterói foi assassinado brutalmente.
Quero aqui cobrar do Governador Sérgio Cabral as políticas de segurança prometidas para a Região Metropolitana e para o interior do Rio de Janeiro. Quero cobrar do atual prefeito de Niterói, do PT, aliado do Governador Sérgio Cabral, que durante a campanha divulgou muito que a relação dele com o Governador mudaria a situação da segurança na Cidade de Niterói. E já se vão aí oito meses de Governo, nos atuais governos municipais e a política de segurança pública em Niterói continua a mesma, Niterói e o interior do Estado estão renegados ao segundo plano, não há uma política de segurança para a Região Metropolitana, com exceção das UPPs na Cidade do Rio de Janeiro, não há uma política de segurança para o interior do Estado do Rio de Janeiro. Aliás, há sim, Deputado Marcelo Freixo, uma política, a política do cobertor cada vez mais curto, retirando atualmente os policiais de Niterói seguramente para vigiar as ruas do Leblon em torno da casa do Governador Sérgio Cabral. Seguramente, os policiais que faltam hoje na Cidade de Niterói estão cumprindo uma agenda para dar mais tranquilidade ao Governador do Estado aqui na Capital.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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