Comte discursa sobre os investimentos públicos nas reformas das 12 arenas da Copa do Mundo

O SR. COMTE BITTENCOURT – Sr. Presidente do Expediente Inicial, Deputado José Luiz Nanci, Deputado Dica, Deputada Cidinha Campos, Deputado Samuel Malafaia, Deputada Aspásia Camargo, Sras. e Srs., trago aqui uma reflexão junto aos colegas da Casa sobre uma matéria que saiu hoje, Deputada Aspásia, na coluna Gente Boa, do Segundo Caderno de O Globo. É uma coluna muito concorrida, em que o repórter faz uma entrevista com um marqueteiro esportivo da ONU e professor da Fundação Getúlio Vargas indagando sobre o clima para a Copa do Mundo, bem como os investimentos públicos feitos nas reformas das 12 arenas que sediarão os jogos que se avizinha.

Deputada Aspásia, a primeira reflexão correta que o marqueteiro faz é que o ambiente da população hoje frente à expectativa dos jogos da Copa não é positiva em função do limite dos ingressos nos estádios. É verdade! A população se envolve mais quando a Copa de dá em outro país. Quando a Copa é realizada aqui no nosso País a expectativa das pessoas é a de ir a uma arena ver um jogo do Brasil ou o jogo das outras seleções. É razoável essa reflexão.

O que me chamou a atenção, Deputada Aspásia, é quando o marqueteiro trata do custo. Ele faz uma comparação com a seguinte dimensão: nove bilhões são os recursos que saíram do Tesouro, dos diversos Tesouros públicos, União e Estados, para o investimento nas 12 arenas. Nove bilhões. Ele compara esse custo de nove bilhões, Deputada Cidinha, ao PIB brasileiro, ao conjunto da riqueza do PIB brasileiro, que hoje passa de um trilhão.

Aí vem a comparação, que achei indevida, em ele diz que esse dinheiro é muito pouco para o tamanho do PIB brasileiro. Como se comparássemos – isso consta na própria reportagem – uma família com renda de 4.500 reais por mês, que retira nove reais para pagar uma festa de aniversário. Vejam a comparação dele. Os nove bilhões aplicados na reforma das arenas tem a mesma dimensão de uma família de renda de 4.500 reais que retira nove reais para fazer uma festa.

Mas trago outra reflexão, Deputada Cidinha. Nós acabamos de acompanhar uma bateria de matérias sobre o retrato da Educação brasileira no jornal O Globo. Retrato nacional, onde a pesquisa aponta que apenas 4% das escolas públicas de educação básica funcionam plenamente, em nível de Brasil, 4%. A pesquisa aponta que apenas 8% das escolas públicas têm laboratório de ciência; a pesquisa aponta que apenas 28 ponto alguma coisa das escolas públicas têm algum espaço para a prática desportiva, para a aula de educação física. Aí me chamou a atenção: nove bilhões se fossem aplicados em Educação. Aí, fui, Deputada Cidinha, levantar quanto o Governo Federal aplicou no Fundeb em 2013 para toda a educação básica brasileira, Aspásia. Tanto é que o Governo Federal, no seu esforço, entendendo, hoje, que a agenda da Educação é, se não a principal, uma das principais agendas da política pública, era do conhecimento, inteligência, educação, como grande ferramenta de transformação, e ninguém mais tem dúvida disso, e essa agenda atrasada, esse passivo existente. O Estado brasileiro, o Governo Federal aplicou, ano passado, no Fundeb, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica, 9,9 bilhões. Aí eu trago esses dados para reflexão do marqueteiro da Fundação Getúlio Vargas, ou seja, os estádios para a Copa do Mundo custaram para o Tesouro Público o mesmo volume de recursos que toda a educação básica brasileira recebeu do Orçamento federal para o Fundeb. Aí o raciocínio do cidadão perde consistência, aí o raciocínio do cidadão, quando fala que com nove reais se faz uma festa e seria, na ordem de grandeza, a mesma coisa, nós estamos falando que com nove bilhões teríamos dobrado, em 2014, os investimentos federais para o Fundeb.

Não estou aqui, Sras. e Srs. Deputados, fazendo nenhuma apologia contra a realização da Copa do Mundo. Não estou fazendo nenhuma apologia contra a realização dos Jogos Olímpicos que se avizinham para 2016, mas estou, sim, tratando de forma mais responsável a maneira indevida com que esses marqueteiros tentam convencer a sociedade brasileira dos investimentos públicos feitos na Copa do Mundo, ou seja, reformar 12 arenas esportivas, Sr. Presidente, custou, para o Tesouro Público, o valor igual a todo o investimento federal feito para o Fundeb. Essa é a conta.

Aí vem a pergunta, e por isso os movimentos do meio do ano passado. Qual foi o foco dos movimentos de junho e julho? A defesa de uma nova agenda política para o Estado brasileiro. Seguramente, se soubessem, Deputado Malafaia, que a conta seria essa, porque a ideia inicial de sediar os eventos era a de que não teria, segundo o ex-Presidente Lula, Presidente à época, recursos públicos do Tesouro, seriam mínimos. É só recuperar o que o Presidente Lula falou tão logo o nosso País foi escolhido para sediar a Copa do Mundo: não vai ter dinheiro público, fiquem tranquilos que o setor privado, as parcerias, vão custear todos os investimentos. A Copa do Mundo está custando, para o Governo Federal, só a reforma de estádios, o mesmo volume de recursos que foi destinado a toda educação básica brasileira. Esse é o debate. E se ele fosse tratado naquele momento, eu não sei se muitos defenderiam sediar a Copa do Mundo, não sei.

Mas, já que está aí, vamos torcer pelo Brasil, vamos torcer para que ela dê certo. Agora, esperamos que os marqueteiros esportivos não usem de forma, eu diria, considerando a população com a capacidade de compreensão limitada, não usem determinados argumentos que não são verdadeiros. Vamos assumir. O Estado Brasileiro investiu alto para sediar os dois eventos, ponto. Foi uma opção que o Estado Brasileiro fez. Custou um ano de investimentos na escola pública do Tesouro Nacional a reforma das 12 arenas esportivas. Muito obrigado.

Posts recentes