Comte critica falta de políticas públicas contra a violência nas escolas do estado

A falta de ações concretas da Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio (Seeduc) para solucionar ou diminuir os problemas da violência nas escolas foi lamentada pelo presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Comte Bittencourt (PPS), durante audiência pública realizada hoje (03/11).

Para Comte, não há uma ação efetiva que defina uma política articulada entre as diversas secretarias da administração estadual para enfrentar o problema. ‘Essa violência que o cidadão enfrenta no dia-a-dia está presente também dentro da escola, e a escola está desestruturada para cumprir o seu papel, que é justamente o de atuar para que a violência externa seja enfrentada. Ou seja, a escola não está conseguindo responder o que a sociedade espera dela por falta de uma política pública. Faltam dados e ações propositivas do estado”, reclamou o deputado.

Para a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Vanilda Paiva, o que precisa ser reforçado dentro das unidades de ensino é a cultura propriamente escolar. “O nível de violência dos nossos dias é muito mais elevado do que foi no passado. Em relação aos anos 1990, a cultura do entorno penetrou muito mais profundamente dentro da escola. Atualmente, existe também uma forte violência das mães com os professores”, apontou Vanilda, que lembrou ainda que o fato dos cargos administrativos dentro das escolas terem desaparecido faz com que o professor fique mais sobrecarregado. “Com isso há menos controle e menos disciplina dentro do espaço escolar e, portanto, os alunos estão mais soltos e têm mais possibilidades de exercer aspectos da sua cultura de origem. Por isso, defendo uma cultura propriamente escolar”, alegou.

O conselheiro do Conselho Estadual de Educação, Luiz Mansur, destacou três aspectos que influenciam diretamente no aumento da violência dentro das salas de aula. “A desvalorização do profissional de educação por parte da sociedade, a família afastada da escola e a ausência de políticas continuadas para a área da educação aumentaram a violência no ambiente escolar nos últimos anos’, pontuou Mansur. A coordenadora do programa Saúde na Escola da Seeduc, Bianca Leda, informou que a secretaria acredita na construção coletiva e que realiza fóruns e palestras não somente dentro das escolas. Disse ainda que vai encaminhar as reclamações do presidente da comissão ao novo secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia.

Também participaram da audiência deputados da Comissão de Educação, a assessora da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, Moniza Rizzini, o delegado titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Luiz Henrique Marques Pereira, além de representantes dos sindicatos dos professores e profissionais da Educação do Rio – Sepe e Uppes.

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