Comissão de Educação discute o papel da escola e do professor na favela

Os problemas enfrentados pelos professores nas escolas públicas que ficam dentro das favelas ou que atendem crianças que residem nesses locais foi o principal tema da audiência pública realizada hoje (16/6) pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, presidida pelo deputado Comte Bittencourt (PPS). A audiência contou com a participação dos sociólogos e pesquisadores Ângela Paiva e Marcelo Burgos, autores do livro “A escola e a favela”.

Para Comte Bittencourt, a pesquisa, realizada em quatro favelas do Rio, serviu para reforçar a necessidade da qualificação dos profissionais de educação. Por isso, ele vai sugerir à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) a realização de uma segunda etapa.” Depois das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPS), a população passou a ter um novo olhar para essas comunidades. Seria importante uma nova pesquisa nesse contexto”, disse o deputado.

“O professor, o educador, precisa voltar a ser o protagonista de um sério projeto de educação do estado. Não adianta todo o esforço em programas complementares sem que ele possa cumprir efetivamente o seu papel e possa fazer da escola o local onde a construção do saber e do conhecimento seja cada vez mais fortalecida”, complementou Comte.

Entre as favelas onde foi realizada a pesquisa, em 2005 e 2006, duas são da Zona Oeste, uma da Zona Sul e uma da Região da Leopoldina. “Vimos que podemos distinguir os professores em dois tipos: os do 1º ao 5º ano, trabalhando como heróis para que aquela criança saia daquele círculo vicioso de evasão escolar. E depois, do 6º ao 9º ano, verificamos que os professores perdem muito a esperança, pois sabem que a escola não está conseguindo fazer com que aquele aluno se sinta integrado e aprenda de forma satisfatória. Nesse caso, ele percebe que o ensino não tem muito significado para aquele aluno”, explicou Ângela. A socióloga lembrou também que a falta de material para trabalhar, de bibliotecas, e de espaços adequados são outras dificuldades pelas quais passam os profissionais da Educação.

Outro pesquisador, Marcelo Burgos acredita que nas cidades brasileiras, e muito especialmente no Rio de Janeiro, a segregação urbana é melhor representada pelas favelas. “A escola pública na cidade do Rio de Janeiro é basicamente uma escola de favela e nem sempre o professor está preparado para lidar com certas situações desse contexto. A classe média resolveu o problema colocando o filho na escola particular e, assim, o tema deixou de ser debatido com mais vigor pela opinião pública”, lembrou Burgos. “O desafio do professor vai muito além da sua competência. É preciso que haja mais mobilização política e mais participação da sociedade para que possamos melhorar o índice de evasão, tanto de professores quanto de alunos, ou mesmo o desempenho dos estudantes nas escolas públicas”, disse o professor.

Participaram da audiência representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e dos sindicatos dos professores e profissionais da Educação no estado – Sepe e Uppes. “Vamos debater as conclusões dos dois pesquisadores e, em conjunto com o governo e a sociedade, buscar soluções para os problemas da escola, do aluno e do professor inserido no universo das favelas”, finalizou Comte Bittencourt.

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