A Voz da Serra: Comte Bittencourt e o governo de Nova Friburgo

90-f1-20150413_at-sindicato-professores-comte-10_0“Um projeto para reconquistar o protagonismo que a cidade perdeu”

SEXTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2016
Por Ana Borges

“Minhas expectativas são as melhores possíveis para a gestão do Renato [Bravo]. Ele fez poucas alianças, mas composta de bons atores, e sua vitória se deve às suas credenciais, ao grupo que formou e ao programa apresentado ao eleitorado. Ele não assumiu nada mirabolante, ao contrário, foi realista e honesto e se cercou de pequenas, mas significativas forças políticas. E nós, o grupo, estamos rigorosamente envolvidos nesse compromisso. O Renato chega à prefeitura sem uma ampla costura partidária, portanto, muito à vontade para formar seu gabinete e instalar seu projeto de gestão pública, que é o que o friburguense espera e merece receber, tendo votado nele ou não. Estou preparado, como friburguense, deputado e homem público para contribuir nesta nova fase a ser inaugurada, que será regida por princípios de métodos, e metas a serem alcançadas.”

Esta foi a análise que Comte Bittencourt fez da futura administração do prefeito eleito de Nova Friburgo, Renato Bravo (PP). Deputado estadual desde 2002, Comte Bittencourt (PPS) está em seu quarto mandato. É presidente da Comissão de Educação da Alerj há mais de dez anos e mês passado substituiu o vice-prefeito de Niterói, Axel Grael (PV) na chapa do atual prefeito Rodrigo Neves, candidato à reeleição.

Político respeitado por uma trajetória marcada por convicções e lutas pelo aprimoramento da educação e inclusão, seu apoio é sempre disputado por políticos, ainda que de outros partidos, com os quais possua afinidades ideológicas para as causas que defendem a dignidade humana.

Segundo ele, a eleição do Renato Bravo é resultado de um projeto que foi discutido há um ano atrás. “Eu, o Jairo Wermelinger, o Olney (Botelho), o Marcelo Braune e o próprio Renato começamos a discutir uma alternativa para Nova Friburgo, sob o entendimento de que precisávamos criar um projeto que pudesse, nessas eleições, apontar um novo caminho para a cidade. Percebemos que era preciso devolver o protagonismo que essa cidade já teve há 20 anos, na região, perdeu e continua perdendo”, defendeu.

Depois de muitos encontros, conversas e debates, o grupo chegou ao nome do Renato, que se dispôs a esse desafio. Comte lembra que ele se apresentou ao grupo conforme esperavam, isto é, com os mesmos anseios, e assim deram início à campanha, com o Marcelo Braune, de vice.

“No começo, poucos acreditavam na nossa chapa. Mas, tínhamos a certeza de que estávamos no caminho certo. Nessa eleição a opção era por algo novo, o eleitor queria vislumbrar novas possibilidades, perspectivas diferentes. Assim como nós. Então, sabíamos o que era preciso ser feito”, revelou.

Uma corrida de obstáculos para não sucumbir em 2017

De acordo com ele, havia um sentimento compartilhado por todos com quem conversavam, de um cansaço, de esgotamento dos modelos estabelecidos. “O governo que se encerra agora no final do ano, não conseguiu interpretar o sentimento que a cidade buscava, desejava. [Para] o Renato é um grande desafio, nada fácil, sabemos, mas tenho certeza de que, o nosso grupo vai auxiliá-lo nas tomadas de decisão, nas reflexões. Vamos praticar uma política de estratégia, adotando outro modelo, moderno, de acordo com os novos desafios, de uma gestão pública voltada para o município que temos. É necessário forjar um planejamento para os próximos 20 anos. Acho que é um desafio [o planejamento] a ser pensado para funcionar a longo prazo, porque não há milagre que nos permita administrar pensando no curto prazo. Devemos, todos nós, nos prepararmos para um período muito difícil. O brasileiro sabe que há uma crise instalada no país e o primeiro ano desse próximo governo será complicado para a macroeconomia, portanto, dificilmente teremos uma recuperação, de acordo com os nossos principais indicadores”, disse, como num alerta à população.

Comte acredita que a tendência é nos aproximarmos de 14 milhões de desempregados, já que “todos os negócios são refratários”. No horizonte, portanto, ele vislumbra sérios problemas a serem enfrentados pelo próximo prefeito. O cenário, pode ser o seguinte: o brasileiro, de modo geral, vai disputar uma verdadeira corrida de obstáculos para não sucumbir em 2017. Diante desse quadro, supõe-se que Renato Bravo terá que montar uma equipe comprometida com a gestão pública.

“Este será um governo que não poderá se submeter ao ‘achismo’, mas encarar a realidade promovendo uma gestão profissionalizada. A cidade espera isso, o nosso grupo apostou nesse modelo e o Renato vai liderar com esse propósito. O Rio de Janeiro vive o momento mais difícil de sua história, vide a sua macroeconomia. Em relação às cidades fluminenses, eu diria que 90% se tornaram altamente dependentes das transferências do estado. Os investimentos nessas cidades eram basicamente feitos com recursos do estado do Rio, de programas como o ‘Somando Forças’, do último governo. Agora, isso acabou. Penso que por um bom tempo não teremos repasses do estado, talvez uns dez anos”, avaliou.

No entanto, Comte não perde as esperanças. “Vamos olhar além das montanhas, mas preservando as montanhas”, diz o deputado, rindo da própria escapada poética. “Estou otimista, animado com este projeto de governo, porque estou confiante. Me sinto parte efetiva dele, porque esse projeto me atraiu desde o primeiro movimento, desde a largada desta caminhada, até aqui. Construímos essa aliança com muita profundidade, reflexão. Nada foi decidido por impulso, pelo contrário, criamos uma identidade muito grande e estabelecemos objetivos, escolhemos um caminho, sem atalhos, para chegarmos ao sucesso da eleição. Estamos unidos por Nova Friburgo”, encerrou Comte Bittencourt.

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