Em 21 de abril, 2007, por Hyury

Tombar para preservar

Isabela Calil
21/04/2007

Museu de Arqueologia de Itaipu, Praia de Adão e Eva, Reitoria da UFF, Corpo de Bombeiros, Ilha da Boa Viagem, Portal da Cantareira e Solar do Jambeiro parecem nomes aleatórios. Entretanto, há um fio que os une: todos são bens tombados em Niterói.

O assunto está em evidência desde que o deputado estadual Comte Bittencourt apresentou um projeto na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para que a Igreja Nossa Senhora da Conceição também seja tombada.

Além disso, a diretora do Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural (DePAC), Regina Prado Guelman, lançou, recentemente, o livro A Preservação do Patrimônio Cultural em Niterói. O destaque demonstra a importância da preservação do patrimônio histórico. Afinal, é através dele que revivemos a arquitetura, a história e os hábitos de antigamente.

A conservação, entretanto, não se dá em todos os bens. Alguns estão em estado precário de preservação, como o Abrigo de Bondes, no Centro. “Por se tratar de um patrimônio inabitado, a deterioração do local se dá mais rapidamente, pois o dinheiro investido nos cuidados é menor”, explica Regina Prado.

No hall das construções preservadas estão os pontos turísticos, como igrejas, sedes administrativas, museus e teatros.

Visando a preservação dos patrimônios, o governo oferece isenção total do IPTU para os proprietários de bens tombados. O projeto da Igreja Nossa Senhora da Conceição visa tombá-la como patrimônio do Estado, uma vez que o bem já é tombado pelo município. A proposta surgiu a partir de um pedido de membros da própria congregação da igreja. “As próprias comunidades solicitam os tombamentos”, afirma Comte Bittencourt, já que os bens têm um valor afetivo para os moradores.

Regina pretende não apenas focar sua preocupação nos bens tombados, mas também nas Áreas de Preservação do Ambiente Urbano (APAUs), buscando assim não só manter os bens materiais, mas os imateriais também.

O objetivo do tombamento é guardar o bem, garantindo que a referência da história seja mantida.

Direito e dever coletivo

Em seu livro, “A Preservação do Patrimônio Cultural em NIterói”, Regina Prado Guelman fala sobre a importância da preservação dos prédios, que contam a história de uma cidade, através de sua arquitetura. “Hoje, a preservação do patrimônio cultural não pode mais ser entendida como uma tarefa exclusiva de especialistas (arquitetos, antropólogos, arqueólogos, advogados, etc.). Não que possamos desprezar a trajetória teórica e prática construída por esses profissionais ao longo de anos, mas, no presente contexto, é fundamental a compreensão da preservação como um direito e um dever coletivos”, afirma Regina em sua obra.

Segundo Regina, no momento da chamada globalização, que se desenvolve não só no âmbito econômico, mas também nas esferas política e sociocultural, é preciso atentar para a importância da preservação dos bens materiais e imateriais que integram a cultura brasileira.

Referência visual

A capela foi fundada por Antônio Correia de Pina, a quem chamavam de Pai Correia, com esmolas adquiridas dos fiéis devotos de Nossa Senhora da Conceição, antes de 1663. Um de seus primeiros benfeitores seria José Gonçalves que, ao falecer, em 1663, deixou em testamento para a futura capela um legado de 25 mil réis. Em 1671 os herdeiros de Araribóia doaram duzentas braças de terras à Irmandade.

A Igreja Nossa Senhora da Conceição é uma obra do século XVIII e uma das mais importantes referências visuais da Praça da República, completando um belo conjunto arquitetônico, abrangendo o Palácio da Justiça, o Liceu Nilo Peçanha, o Parthenon, a Biblioteca Pública e a Câmara Municipal.

A igreja é visitada por turistas e pela população em geral, que percorre o corredor cultural da cidade e recebe uma multidão de fiéis, como é constatado em 8 de dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição.

Trajetória

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