Em 20 de agosto, 2010, por Hyury

Olhando lá na frente

Coluna Leonardo Aguiar
Jornal Folha de Niterói

A eleição deste ano em Niterói promete ser disputada e interessante. Serão candidatos à reeleição os deputados estaduais Comte Bittencourt (PPS) e Rodrigo Neves (PT). Estrearão concorrendo a uma cadeira na Alerj os vereadores Felipe Peixoto (PDT) e João Gustavo (PMDB). Entre os vereadores que tentam subir um degrau na carreira política há uma diferença básica. Felipe foi o mais votado, com 8.206 votos, a maior votação de um vereador na cidade. Exercendo seu terceiro mandato, ele já deveria ter se candidatado na eleição passada, mas achou melhor esperar mais um pouco e acabou se dando mal. Sem apoio formal do prefeito Jorge Roberto Silveira, Felipe é o “candidato do partido”. Muito pouco para quem levou o nome do PDT nas costas nas últimas eleições.

 Mas política é assim mesmo, injusta, pouco limpa e regida por interesses nem sempre ou quase nunca republicanos. A seu favor, Felipe Peixoto tem muita garra, uma boa equipe e um ótimo trabalho na cidade. É interessado e presente. Do vereador João Gustavo pouco se sabe. Obteve 2.807 votos pelo PMDB e foi o segundo do partido. Não faz um trabalho que lhe dê visibilidade, mas pode ser que tenha aumentado nesses dois anos seu trabalho junto à comunidade que o elegeu. Demonstra coragem e alguma impaciência ao sair candidato a deputado no meio do primeiro mandato de vereador. A coluna só lembra de uma empreitada dessas ter dado resultado, a de Tânia do PT que, depois dois anos de eleita vereadora em primeiro mandato, acabou se elegendo deputada. Não é impossível, mas é muito difícil.

 João Gustavo terá a seu favor o fato de estar no partido que é o virtual vencedor das eleições no estado, e isso poderá ajudá-lo de alguma forma.

Mas boa será a disputa para a reeleição dos deputados Rodrigo Neves e Comte Bittencourt. Na verdade, não eleição em si, mas o que está em jogo mais a frente, a cereja do bolo: a cadeira de prefeito. Esse é o objetivo dos dois candidatos daqui a dois anos, disputar a Prefeitura de Niterói. E é imperativo para os dois serem muito bem votados em outubro próximo. Na eleição passada Rodrigo se saiu melhor, obteve 41.288 votos contra 38.982 de Comte. A diferença de pouco mais de 2 mil votos teve sabor de vitória para Rodrigo.

 Nas eleições de 2008, para prefeito, Rodrigo Neves veio candidato, mas embora seja do PT não teve o apoio do prefeito Godofredo Pinto, também do PT. Comte, que era o vice de Godofredo, acabou compondo com Jorge Roberto Silveira. Mesmo assim, Rodrigo teve 62 mil votos e, como acontece em toda eleição majoritária, ganhou muita visibilidade.

 Na eleição de outubro próximo, Comte, que é presidente regional do PPS, está na coligação (DEM, PPS, PV, PSDB), que por sua vez tenta emplacar Fernando Gabeira (PV) governador. Uma coligação cheia de problemas desde o começo, portanto não deverá ajudá-lo muito. Já Rodrigo, está do lado oposto, numa coligação fortíssima que tem PMDB-PT como partidos principais, além do governador Sérgio Cabral com chances de vencer já no primeiro turno.

Esse quadro se mostra extremamente favorável ao candidato Rodrigo Neves. Comte terá o apoio de Jorge Roberto, é um acordo feito lá atrás, na eleição de Jorge em 2008. Comte o apoiou e o prefeito vai pagar agora. Por isso, Felipe Peixoto, mesmo sendo do partido do prefeito, foi preterido.

É claro que estamos falando isso tudo em tese. Em política, o imponderável precisa ser sempre considerado. Os dois sabem que depois das eleições de outubro o que menos vai interessar é o mandato. Quem se sair melhor se credencia como candidato a prefeito da cidade. Também aí Rodrigo pode se beneficiar com forte apoio de Sérgio Cabral, se este for reeleito, afinal, o governador anda com um pé em Niterói.

Nas pouquíssimas obras espalhadas pela cidade, as placas são do governo do estado. Para Cabral, ter um prefeito afinado com ele seria ótimo.

Há os que juram de pés juntos que o apoio de Jorge Roberto a Comte ultrapassa a eleição de outubro e chega a 2012. Apoio para duas eleições? Difícil, muito difícil. Nem João Sampaio teve isso. A coluna aposta em outro nome que corre por fora.

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