Em 10 de fevereiro, 2007, por Hyury

Liceu sofre com descaso e alunos voltam ao colégio entregue ao mofo

O Fluminense
10/02/2007
Isabel de Araujo

O ano letivo das escolas estaduais começa nessa segunda-feira, dia 12, e os 3,5 mil alunos matriculados no tradicional colégio Liceu Nilo Peçanha, no Centro de Niterói, já vão aprender uma valiosa lição: promessa não é dívida.

A esperada reforma do sobrado, anunciada pelo Governo de Rosinha Garotinho (PMDB) para ter início nas férias, ficou restrita a pinturas superficiais de alguns cômodos. Das 30 salas de aulas, três continuam interditadas desde o início do ano passado. Mofos e infiltrações, que danificaram as paredes e tetos da maioria dos cômodos, expõem o descaso dos governos anteriores com a educação. O prédio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na década de 80, não passa por reformas há 17 anos.

Nem mesmo a sala da direção e o Salão Nobre, que ficam no segundo pavimento, foram poupadas do abandono em que se encontra a escola. E no terceiro andar, onde eram dadas aulas de teatro e canto, o cenário é ainda mais assustador: o forro de madeira que cobre o teto está solto, o piso, também de madeira, está quebrado e as paredes foram pichadas por alunos. Para evitar que estudantes subam ao local, a diretoria isolou as escadas com painéis.

O atual diretor da instituição, Antônio Roque Cavas, lamentou a demora no começo das obras e afirmou que acredita no empenho do atual governador Sérgio Cabral Filho (PSDB). Confiante de que a situação será revertida, Antônio Roque disse que a direção fará de tudo para que o aprendizado dos alunos não seja prejudicado pelos transtornos da reforma. E esclareceu que a biblioteca e a sala de vídeo continuarão temporariamente servindo de sala de aula, para que algumas turmas não sejam prejudicadas.

“É muito triste ver a situação do prédio. Mas acredito que nas próximas semanas a obra seja iniciada. Por medida de segurança, a Defesa Civil interditou algumas áreas. E para impedir que alunos curiosos circulem nessa área, pretendo chumbar os acessos”, comentou o diretor.

Secretário garante verba de R$ 2,9 milhões

Em agosto passado, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) anunciou a abertura do processo licitatório e divulgou o orçamento referente a R$ 2,9 milhões para a recuperação do colégio e obras de melhorias. No projeto divulgado, a SEE previa a construção de uma área esportiva, vestiário, além de quatro salas de aula, dois banheiros, ampliação da cozinha e do refeitório e construção de rampa para deficientes.

Em novembro, após a exibição do precário estado de conservação da instituição pelo O FLUMINENSE, na matéria “Em busca da Glória Perdida”, publicada no dia 3, o então vereador de Niterói e hoje deputado estadual Rodrigo Neves (PT) ficou sensibilizado com o quadro caótico do Liceu e passou a mobilizar políticos em prol do colégio.

Durante uma visita, ainda em novembro, ao então secretário Estadual de Educação, Arnaldo Niskier, Neves cobrou uma iniciativa e se propôs a acompanhar o processo. Na época, Niskier afirmou que também teria ficado sensibilizado com a matéria e que tinha conseguido uma autorização da governadora Rosinha Garotinho (PMDB) para que a obra fosse iniciada em caráter emergencial. Niskier ainda prometeu que as obras começariam no mês seguinte, para evitar prejudicar o início do ano letivo de 2007. O então secretário justificou que o processo demorou tanto devido ao tombamento do sobrado que abriga a instituição.

O ano de 2006 terminou e as promessas de melhorias ficaram apenas na conversa.

Promessas – Apesar de o Liceu ter ficado fora da listagem divulgada, na quinta-feira, pela Secretaria Estadual de Educação, que apontou as 36 escolas estaduais do Estado que foram contempladas com a verba emergencial, o atual secretário da pasta, Nelson Maculan, garante que o dinheiro da instituição está garantido.

Maculan esclareceu que somente colégios que necessitavam de pequenas intervenções foram selecionados. E destacou que foi destinada uma verba de R$ 2,5 milhões para ser dividida entre as 36 instituições, sendo R$ 30 mil para as escolas de Niterói. No caso do Liceu, o orçamento é de R$ 2,9 milhões.

“Eu garanto que a reforma no Liceu é considerada prioritária para o Governo do Estado. O processo licitatório já foi concluído e encaminhado para a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop). Nossa expectativa é de que os trabalhos comecem logo após o carnaval”, programou.

A SEE ainda divulgou, através de nota oficial, que as chuvas de janeiro contribuíram para agravar a situação do sobrado e atrasaram o começo da reforma. Ainda de acordo com a nota, engenheiros da Empresa de Obras Públicas do Estado (EMOP) vistoriaram o local para garantir que restauração do colégio siga o projeto original.

A SEE informou, também, que assim que as obras forem iniciadas irá providenciar a transferência de algumas turmas para salas de aulas do prédio anexo. E garantiu que o início da recuperação das salas não vai trazer transtornos aos estudantes, já que neste início a reforma vai se restringir a uma área que já está isolada.n

Comte está indignado

O deputado Comte Bittencourt (PPS), que recentemente assumiu a presidência da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), decidiu fazer uma vistoria nas principais escolas estaduais do município. Depois de visitar as dependências do Liceu, Comte lamentou ver que uma das principais escolas públicas de Niterói está em ruínas. E classificou as salas interditadas como o retrato do desrespeito do governo anterior com os professores e com a comunidade.

“Como o governo pôde deixar um patrimônio da cidade se transformar neste pardieiro. É uma irresponsabilidade expor os alunos e professores a tamanho risco”, afirmou.

O deputado ainda questionou a situação das escolas localizadas em áreas periféricas. Com um relatório com fotos de outras duas escolas estaduais, Menezes Vieira, no Barreto, e Hilário Ribeiro, no Fonseca, Comte mostrou-se indignado com a decadência em que se encontram as instituições.

“Se uma das escolas de maior tradição da cidade ficou desse jeito, com salas tomadas por mofos, imagine as mais afastadas?”, indagou, garantindo que vai lutar por melhorias.

Trajetória

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