Em 04 de janeiro, 2011, por Hyury

Governo do estado quer fazer provas para escolher os diretores de escolas

RIO – Para poder implementar um sistema de meritocracia na escolha dos diretores das escolas, o governo estadual aplicará provas para os candidatos que desejarem assumir o cargo. A iniciativa fará parte do projeto que pretende terminar com as indicações políticas nos colégios e nas coordenadorias às quais as unidades estão submetidas. A Secretaria de Educação não informou detalhes do novo exame, mas fontes do GLOBO confirmaram que ele será anunciado nos próximos dias como parte de um grande pacote de ações para melhoria do desempenho da rede.

Ainda não foi divulgado o peso do “vestibular” dos diretores na escolha final do cargo. Atualmente, o estado tem 1.693 escolas e 30 coordenadorias regionais. Os profissionais são nomeados pela secretaria após as coordenadorias apresentarem os nomes. O processo é marcado historicamente por indicações políticas de aliados do governo.

Professores terão gratificação pelo cumprimento de metas

Além da promessa do fim das indicações, o governo promete a elaboração de um plano de metas para a educação, vinculado a uma gratificação para os profissionais que atingirem os objetivos pré-determinados. No seu discurso de posse, na semana passada, o governador Sérgio Cabral afirmou que pretende, nos próximos quatro anos, retirar o Rio da penúltima posição do ranking de ensino médio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para figurar entre os cinco primeiros.

Para o presidente da Comissão de Educação da Alerj, deputado Comte Bittencourt (PPS), a iniciativa do estado de acabar com as indicações políticas é bem-vinda, mas é preciso dar condições aos diretores que assumam para que eles possam cumprir as metas definidas:

– Não adianta querer um processo de meritocracia se não forem garantidos os insumos mínimos. O atual modelo do pessoal de apoio das escolas é precário, não há concurso há dez anos, o que faz com que os diretores acumulem uma série de funções e não tenham o tempo devido para exercer a sua liderança.

A escolha dos diretores vem se caracterizando como uma das grandes polêmicas na rede estadual nos últimos anos. O modelo com eleição direta dos diretores chegou a vigorar no Rio entre 1996 e 2001. Em 2003, no entanto, uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a escolha direta. No início do governo Cabral, o ex-secretário Nelson Maculan tentou, sem sucesso, retomar o modelo de votação direta. Uma resolução publicada por ele, no entanto, foi revogada pela Casa Civil, sob a alegação de que o ato era inconstitucional.

O Globo
Ruben Berta

Trajetória

@comte_educacao

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