Em 01 de março, 2010, por Hyury

Expansão da Uezo é prejudicada por falta de campus

213_2537-uezoO Globo Zona Oeste

O campus da Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) ficou mais uma vez na promessa. A verba de R$ 5 milhões para o início de sua construção, aprovada pela Comissão de Educação da Assembléia Legislativa (Alerj), foi vetada no fim de janeiro pelo governo do estado e não está prevista no orçamento. Enquanto isso, a expansão do único centro universitário tecnológico fluminense esbarra na falta de espaço físico.

A Uezo funciona desde sua criação, em março de 2006, em parte do prédio de um colégio em Campo Grande, o Instituto de Educação Sarah Kubitschek. Cedido pela Secretaria estadual de Educação, o local deveria ser ocupado em caráter provisório. O secretário de Ciência e Tecnologia na época, Wanderley de Souza, já prometia uma sede própria. De lá para cá, segundo o reitor da instituição, Roberto Soares de Moura, a Uezo cresceu tanto que já não cabe nos limites do Sarah Kubitschek:

— Sem campus, a universidade vai fechar. Os projetos de expansão de laboratórios e cursos dependem de uma ampliação física.

Os números da Uezo deixam claro o crescimento da instituição. Em 2007, eram 410 alunos. Hoje, já são 1.468. Os cursos, que eram seis no início, já são dez. O plano é lançar mais quatro carreiras e um mestrado profissional em 2012, chegando a 3.656 estudantes.

— Com as 18 salas que temos, esses projetos são inviáveis — diz Sérgio Seabra, pró-reitor de pesquisa da Uezo.

Governo afirma que dinheiro sai ainda este ano

Enquanto o campus não vem, a comunidade acadêmica da Uezo improvisa para driblar a carência de infraestrutura. Há alguns meses, cinco laboratórios foram erguidos em puxadinhos: em vez de paredes de concreto, divisórias de fórmica armadas no térreo do prédio abrigam pesquisas. Os ambientes são refrigerados, e os professores garantem que as experiências não ficam prejudicadas. Porém, as condições estão longe de serem ideais.

— Não há como operar um microscópio eletrônico de alta precisão em um local que não é isolado contra vibrações. O prédio do colégio não supre as necessidades de um centro tecnológico. Entre 2006 e 2008, nenhum laboratório funcionou porque não havia potência elétrica suficiente — reclama Cláudia Ferreira, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Mas um dado faz o aperto da Uezo ganhar tintas de ironia: desde dezembro, a universidade tem à sua disposição um terreno de 135 mil metros quadrados às margens da Avenida Brasil, no Distrito Industrial de Campo Grande. O local foi cedido pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin). Ali, a construção de um campus com três edifícios — como sonham alunos e professores da instituição — seria possível. Porém, faltam os R$ 15 milhões necessários para a obra.

— A verba prometida foi remanejada pelo governo para obras do Anel Viário e para a implementação do Bilhete Único. Mas, enquanto esse dinheiro representa pouco para o estado, é tudo para a Uezo. Espero que o governador volte atrás e honre o acordo feito conosco — argumenta o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa.

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, garante que, apesar de não constar na Lei Orçamentária Anual (LOA), a Uezo poderá contar com os recursos para o campus:

— Basta o projeto estar pronto que até R$ 4 milhões virão este ano pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Se a arrecadação se mantiver alta, haverá dinheiro do Tesouro Estadual também.

O reitor está confiante nessa promessa. Já Cláudia Ferreira argumenta que o governo estadual descumpriu vários acordos relacionados à Uezo. Enquanto o campus não sai do papel, seguem os incômodos da convivência entre alunos de cursos superiores e do ensino médio.

— Vários empresários que vieram à nossa Semana Nacional de Ciência estranharam a presença de adolescentes uniformizados no prédio. O convívio é amistoso, mas não traz benefícios a ninguém — diz Anderson Franzen, pró-reitor de graduação.

Trajetória

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