Em 27 de outubro, 2007, por Hyury

Deputado verifica condições de atendimento no hospital estadual Azevedo Lima

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Luana Soares

Mediante a diversas denúncias feitas sobre falta de medicamento e péssimo atendimento nas unidades estaduais de saúde, o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) vistoriou ontem dois hospitais públicos da cidade. Pela manhã, o parlamentar esteve no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro, e, à tarde, no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. Nesse último, se reuniu com o ex-deputado Paulo Pinheiro e com a direção local para fazer um balanço da situação em que se encontra a unidade. O documento será encaminhado ao plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e ao secretário estadual de Saúde.

A atual situação do Azevedo Lima, segundo funcionários, é precária e extremamente preocupante. Vários medicamentos e materiais imprescindíveis como gaze, algodão, agulhas e esparadrapos, além de aparelhos e médicos, estão em falta há alguns meses, desde o início do governo de Sérgio Cabral.

Com a falta de material, enfermeiros estão priorizando pacientes e fazendo um rodízio entre eles. Em alguns casos, parentes tiveram que comprar os medicamentos para dar continuidade ao tratamento. Ainda segundo informações, os pacientes são atendidos pelos corredores e até mesmo as cadeiras da recepção da emergência se transformaram em leitos. Não há ortopedistas nos finais de semana e neurocirurgiões só atendem no domingo à noite. A direção do hospital alegou que os funcionários trabalham em situação precária.

“Falta tudo. Temos que sacrificar alguns pacientes pra ajudar outros. O hospital nunca viveu um momento desse”, revelou um técnico em enfermagem, que trabalha há oito anos na unidade.

Funcionários denunciaram que o setor de Emergência está infestado de percevejos, mesmo havendo pacientes no local. Além disso, o mesmo elevador que transporta pacientes leva lixo hospitalar, material contaminado e infeccioso.

O Governo Estadual destinou R$ 2.671 milhões para investir na Saúde em 2007, mas esse valor não foi visto em melhorias no setor. A falta de recursos materiais e humanos é visível

O Azevedo Lima trabalha com 1.800 servidores, 234 leitos, atende 600 pessoas por dia – 350 só na emergência – e interna 700 pessoas por mês. É o sexto maior hospital da região em importância, atendendo pacientes de regiões vizinhas.

Após a reunião, Comte afirmou que vai se reunir com outros deputados da Região Metropolitana 2 para produzir uma emenda a ser encaminhada à Alerj.

O diretor da unidade, José Luiz Rosa de Medeiros, reconheceu as deficiências do hospital, mas antecipou que as necessidades não são tão grandes. Segundo ele, a carência de produtos diminuiu e as licitações para novos equipamentos estão em andamento.

‘Furadeiras cirúrgicas’

Na semana passada, o Azevedo Lima estava na lista dos hospitais estaduais que utilizavam máquinas furadeiras em cirurgias neurológicas. O diretor da unidade anunciou que um craniótomo (aparelho utilizado para serrar o crânio) está a caminho, contudo não vai deixar de usar o equipamento, pois não oferece risco ao paciente.

Sobre as acusações de colocar leitos nos corredores e de problemas sanitários, Medeiros foi categórico.

“Prefiro ser acusado de colocar pacientes no corredor do que ser acusado de recusar atendimento. A denúncia de percevejos não procede”.

Obras – Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que não há falta de leitos no Hospital Azevedo Lima. Devido às obras, o 5º e o 6º andar estão interditados para aumentar a capacidade em 48 leitos. Os medicamentos em falta já estão em processo de compra e devem chegar à unidade nos próximos dias. O hospital também receberá um tomógrafo em 90 dias. A falta de médicos é pontual, o que não prejudica o atendimento. Mas a secretaria não se pronunciou sobre a má utilização da verba.

Médicos se reúnem para reivindicar melhorias

O estado de calamidade em que se encontram os hospitais públicos, denunciado pelos médicos, e a luta dos profissionais da Saúde para salvar vidas e reivindicar aumento dos salários foram os assuntos discutidos na reunião da Federação Sudeste dos Médicos (Fesumed), na manhã de ontem, na sede do Sindicato dos Médicos de Niterói (Sinmed), que é filiado à Federação Nacional dos Médicos (Fenam).

No evento, estiveram presentes a vice-presidente de Atenção Hospitalar e de Emergência da Fundação Municipal de Saúde, Maria do Céu Ribeiro, os presidentes do Sinmed Niterói, Clóvis Cavalcanti, e da Associação Médica Fluminense (AMF), Glauco Barbieri, o subdelegado do Ministério do Trabalho, José Veríssimo Júnior, José Roberto Murisset, representante do sindicato do ABC paulista, entre outros.

Os baixos salários foram a principal reclamação da classe. As péssimas condições em que são obrigados a trabalhar também foram discutidas, mas a visibilidade do Sinmed está voltada para o Plano de Cargos Carreira e Salários (PCCS).

Segundo Clóvis Cavalcanti, presidente do Sinmed Niterói, o sindicato continuará a denunciar o caos em que se encontra a Saúde, mas o Ministério Público é que possui o poder de mudar esta triste história vivida por milhões de brasileiros, que dependem do Serviço Único de Saúde (SUS).

“A calamidade que enfrentamos todos os dias já virou problema do Ministério Público. Agora não falamos mais em condições de trabalho, queremos tratar de salários. Mas também quero deixar claro que continuaremos denunciando. Não queremos ser os vilões desse problema que é a saúde púlica”, revoltou-se Cavalcanti.

Ainda segundo Cavalcanti, os médicos ganham cerca de R$ 1.300 mensais para “operar milagres”.

Para a vice-presidente da Fundação Municipal de Saúde e pediatra, Maria do Céu, os médicos precisam lutar por condições de trabalho e melhores salários.

“Temos uma profissão linda, digna e que precisa ser valorizada. Precisamos nos aliar à população para que ela entenda que os problemas enfrentados nos hospitais são na verdade problemas dos gestores e não dos médicos”, conscientizou a pediatra. (Tamara Ferreira)

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