Em 04 de junho, 2008, por Hyury

Corregedor da Alerj decide pedir a cassação do mandato do deputado Álvaro Lins

O Globo Online
Fábio Vasconcellos

RIO – A Corregedoria da Alerj decidiu, na tarde desta quarta-feira, pedir a cassação do mandato do deputado Álvaro Lins (PMDB), acusado de comandar um esquema de proteção da máfia dos jogos eletrônicos e de arrecadar dinheiro em delegacias. A decisão foi tomada após o depoimento de quase duas horas do deputado aos corregedores, deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) e subcorregedor, deputado Comte Bittencourt (PPS). Segundo Luiz Paulo, o deputado não apresentou fatos novos para desmentir as denúncias da Polícia Federal e do Ministério Público federal.

Na terça, a Corregedoria apresenta o relatório para a Mesa Diretora da Alerj. O presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), já declarou, na semana passada, que a tendência seria acompanhar o parecer da Corregedoria. Da Mesa, se assim quiser, segue para o Conselho de Ética. que, a partir da data do recebimento, terá até 90 dias para dar um parecer final. Nesta etapa, Álvaro Lins terá novamente direito à defesa e testemunhas voltarão a seu ouvidas. Após análise do Conselho, vai para votação em plenário.

O depoimento de Lins começou por volta de 10h30m. No início, os advogados do parlamentar tentaram adiar o depoimento por mais 72 horas, alegando que não havia tido tempo de tomar conhecimento das informações contidas no inquérito da PF. O pedido foi negado. De acordo com Luiz Paulo, o deputado negou qualquer envolvimento com proteção à máfia dos caça-níqueis e suposta arrecadação de dinheiro em delegacias, quando era chefe de polícia. O corregedor contou ainda que Álvaro Lins alegou que as denúncias são fruto de perseguição de outros delegados, e que a polícia interpretou as conversas que foram gravadas em escutas telefônicas.

A Corregedoria descobriu que sete pessoas envolvidas na denúncia da PF estavam também nomeadas no gabinete de Álvaro Lins. – Para nós, está configurado a quebra de decoro parlamentar. O deputado trouxe para Casa pessoas que agora são acusadas pela polícia – disse Luiz Paulo. Lins entrou por uma porta escondida na sala de audiência, evitando encontrar jornalistas. A deputada Cidinha Campos (PDT), que não é da Corregedoria mas queria participar da reunião, foi impedida de fazer perguntas. Indignada, a parlamentar deixou a sala fazendo duras críticas ao corregedor.

– Isso é um absurdo. Não deixaram eu fazer perguntas. Qualquer deputado pode fazer perguntas nessa Casa. Não deixaram porque isso tudo é uma armação para livrar o sr. Álvaro Lins da cassação. Serão feitas apenas perguntas do tipo papai-mamãe – criticou Cidinha. Provas contundentes contra o deputado

Após analisar o inquérito da Polícia Federal que resultou na Operação Segurança Pública S/A, Luiz Paulo afirmou, nesta terça-feira, que o caso é estarrecedor. Segundo o parlamentar, há provas contundentes contra Lins.

Manifestantes protestam contra revogação de prisão de Álvaro Lins

– O caso é estarrecedor. Existem vários indícios e provas contra Álvaro Lins são contundentes. O relatório da PF está muito bem feito. As evidências caminham para a confirmação de quebra de decoro parlamentar, a não ser que Álvaro Lins apresente fatos novos que o inocentem. Mas acho muito difícil – afirmou Luiz Paulo.

Delegado que foi ameaçado de morte ganha proteção

O delegado ameaçado de morte em plano descoberto pela Polícia Federal está recebendo proteção especial. Conforme jornal “O Globo” noticiou na terça-feira, um relatório da inteligência da PF revela que a execução do policial teria sido tramada em reunião comandada pelo deputado estadual Álvaro Lins, num restaurante na Cadeg, em Benfica, em 8 de fevereiro. O esquema de segurança, que prevê veículo blindado e escolta, foi determinado pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Além de Lins e Garotinho, o delegado também foi responsável por denúncias contra inspetores que integram o “grupo dos inhos”. As informações ajudaram a PF nas investigações que resultaram na prisão e na denúncia à Justiça federal dos citados. Além do processo na Justiça federal, os policiais denunciados também respondem a processo administrativo na Corregedoria de Polícia Civil e podem perder os cargos. O Boletim Interno 97, publicado dia 30, convoca os inspetores Rogério Augusto Marques de Brito, o Rogerinho, Hélio Machado da Conceição, o Helinho, Mário Franklin de Carvalho, o Marinho, e o delegado Daniel Goulart, para serem ouvidos dia 10.

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