Em 17 de março, 2010, por Hyury

Comte cobra do estado políticas efetivas para inclusão de alunos com necessidades especiais

A educação inclusiva é, atualmente, um dos grandes desafios do sistema educacional não apenas do estado do Rio, mas de todo o Brasil. Pensando nisso, a Comissão de Educação da Alerj, presidida pelo deputado Comte Bittencourt (PPS), realizou hoje (17/3) uma audiência pública sobre o tema. “Esse é um debate de extrema importância. Não queremos apenas colocar as crianças com necessidades especiais em sala de aula. Temos que acompanhar como esse processo está sendo feito, se a rede física nas escolas está adequada e se os profissionais estão preparados para o atendimento aos alunos. A escola precisa e deve ser para todos”, afirmou Comte, lembrando ainda as sete metas do Plano Estadual de Educação (PEE), aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio, em dezembro de 2009, referentes à educação inclusiva.

O deputado afirmou também que, para que a educação inclusiva aconteça de forma eficiente, é necessário que haja a valorização e a qualificação do professor. “Ele precisa estar preparado para atender o aluno com necessidades educacionais especiais. Por isso, precisamos cobrar do Executivo políticas mais efetivas, que possam dar ao sistema estadual a capacidade de receber todos na escola”, completou Comte. 

A coordenadora de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação, Roseni Silvado Cardoso, apresentou números de um levantamento feito em 2009. De acordo com a pesquisa, o estado tem hoje 5.619 alunos com necessidades educacionais especiais – com deficiências visual, mental, múltipla, auditiva e física, além de jovens com altas habilidades e superdotação. Desse total, 2.724 estão incluídos em salas de aula de escolas regulares e, os outros 2.895, em escolas especiais. “Temos muita preocupação com a formação do professor. Oferecemos cursos de libras, sorobã (sistema de cálculo para deficientes visuais) e fóruns de políticas de inclusão, além de palestras e seminários. Só assim podemos acabar com a barreira que existe entre alguns professores e esses alunos”, disse Roseni.

A professora Cláudia Grabois, do Instituto Helena Antipoff, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, afirmou que hoje atende cerca de 10 mil alunos com necessidades educacionais especiais e que a grande maioria ainda encontra-se em classes especiais. “Estamos trabalhando para mudar essa realidade. Às vezes a própria família não quer que o filho com deficiência passe a freqüentar uma turma regular. É uma questão de mudança cultural”, explicou Cláudia. A professora afirmou também que o município está comprando cerca de 500 laptops para atender crianças com deficiência visual e, além disso, está contratando 300 estagiários, fora 300 voluntários, para atuar nos programas de inclusão das escolas da rede, orientados pelo instituto.    

 A coordenadora de Educação Especial de Niterói, Nelma Pintor, apresentou os números do município: cerca de 1 mil alunos com necessidades educacionais especiais. Em 2011, a cidade receberá outros estudantes, vindos de escolas municipalizadas. “Buscamos parcerias importantes para qualificar os professores que, apesar das dificuldades, têm demonstrado muito interesse em aprender estratégias pedagógicas para atender esses alunos”, contou Nelma.  

 Comte Bittencourt anunciou que voltará a debater o tema numa próxima audiência. “O que me preocupa é que, num universo de cerca de 1,5 milhão de alunos da rede estadual, apenas pouco mais de 5 mil com necessidades especiais estejam sendo atendidos. A inclusão deve ser de todos”, disse o deputado. Também estiveram presentes ao encontro representantes dos sindicatos dos professores do estado do Rio, além de outros deputados da Comissão de Educação.

Trajetória

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