Em 07 de outubro, 2009, por Hyury

Comissão de Educação da Alerj pedirá orçamento maior para a Uerj e Cecierj.

Foto Alexandre Moreira-4O reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Vieiralves, afirmou hoje (7/10), em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa sobre a Uerj, que a universidade enfrentará sérios problemas para sua manutenção em 2010, caso o governo do estado não reavalie o orçamento destinado a ela no ano que vem. Para o presidente da Comissão de Educação da Alerj, deputado Comte Bittencourt, a universidade merece tratamento especial por se tratar de uma das mais importantes do nosso estado. Segundo dados da própria Uerj, a instituição recebeu do governo do estado, em 2009, cerca de R$ 452 milhões. No ano que vem, deverá receber menos R$ 7 milhões – cerca de R$ 445 milhões. Apesar de ter havido um aumento de R$ 42 milhões de 2008 para 2009, esses números apontam para cortes em novos projetos e em despesas de manutenção, o que já vem ocorrendo.

“A Uerj perdeu um terço da sua capacidade orçamentária nos últimos anos, apesar de ter recebido novas atribuições”, afirmou Comte. “Precisamos encaminhar emendas para aumentar os recursos previstos na mensagem do governo, principalmente no custeio de pessoal, seja para novos concursos para docentes ou para técnicos administrativos, pois o orçamento da Uerj não vem acompanhando o crescimento da arrecadação do estado. E isso vai minando a capacidade de se produzir a inteligência esperada pela sociedade, comprometendo o próprio programa de desenvolvimento econômico do estado”, avaliou Comte. Por isso, a Comissão de Educação solicitou ao reitor um relatório com os números da instituição nos últimos anos, contendo vagas de professores e de alunos, além do número de docentes que pediram exoneração.

O motivo da evasão dos professores e de técnicos administrativos seria, em primeiro lugar, os salários defasados, além das más condições de trabalho – por conta, inclusive, da falta de estrutura física. Muitos prestam concurso federal e, por isso, deixam a Uerj. Para a presidente da Associação de Docentes da UERJ, Inalda do Couto, a Uerj precisa se expandir urgentemente. Há mais de vinte anos o curso de Química, por exemplo, recebe apenas 100 alunos. “Hoje temos alunos arriscados a não se formar porque não há professores. Há três anos tínhamos 2.380 professores e hoje não temos nem 2.100, sendo que um terço trabalha com contratos temporários”, contou Inalda. Para o professor Pedro Senne, do Conselho Universitário da Uerj, “a universidade está quebrada”. “Não há apenas problemas de estrutura, na rede de esgoto ou de água. A universidade não atrai mais professores e mão de obra qualificada, o que acaba nos deixando com uma grande defasagem”, disse o professor.

Segundo Vieiralves, reitor da universidade, em sua gestão não é mais possível economizar. Ele conta com a sensibilização do governo do estado para melhorar, em breve, a situação da universidade. “A universidade assumiu os médicos residentes, que eram pagos pela Secretaria de Estado de Saúde, e houve uma expansão nas bolsas dos estudantes cotistas, que antes eram de um ano e passaram para cinco. São despesas justas, mas quer significaram uma redução no nosso custeio e na capacidade de investimento”, explicou o reitor.

Mas, para a coordenadora do diretório dos estudantes, Fabiane Simão, não basta apenas economizar. “Faltam professores, laboratórios em bom estado, livros atualizados nas bibliotecas. A situação do estudante da Uerj, que geralmente já é carente, é precária. Com isso é como se o estado cometesse um crime”, afirmou a estudante.

A presidente da Cecierj, Masako Oya Masuda, também participou da audiência e confirmou a necessidade da realização de um concurso público para a contratação de docentes. “O quadro atual é muito pequeno e no próximo ano vamos abrir vagas para dois novos cursos, o de Administração Pública e de licenciatura em Língua Portuguesa”, disse Masuda. O presidente da Comissão de Educação, comte Bittencourt, afirmou que também reforçará o pedido de um orçamento maior para que a Fundação do Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio (Cecierj) possa realizar concurso público.

O diretor geral do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), Rodolfo Nunes, afirmou que a situação tecnológica do hospital melhorou muito nos últimos anos, mas que reformas estruturais ainda são necessárias. “Fomos o único hospital universitário a cumprir as metas do Sistema Único de Saúde (SUS)”, contou Nunes.

Participaram da audiência pública alunos, professores e funcionários da Uerj, da Fundação Cecierj, do Hospital Pedro Ernesto, e representantes dos Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj).

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